Em Mogi: Mães de alunos alegam que filhos estudam em tendas há anos em escola municipal

Em Mogi: Mães de alunos alegam que filhos estudam em tendas há anos em escola municipal 

A denúncia das condições da Escola Municipal Cecília de Souza Lima Viana ganhou repercussão depois que algumas imagens foram publicadas em uma rede social. A Prefeitura de Mogi informou que não há aulas em tendas.

As mães de alunos da Escola Municipal Cecília de Souza Lima Vianna, de Mogi das Cruzes, estão preocupadas com as condições da estrutura oferecida aos alunos. Segundo elas, algumas aulas são realizadas há anos em tendas improvisadas.

“Quando eu cheguei aqui, eu me deparei com essa situação lamentável, aonde eu fui a fundo e descobri que essas tendas estão há mais de 10, 11 anos sendo usadas, tendas velhas, tendas que deveriam ser para algo provisório, um evento provisório. E as crianças tendo aulas nas tendas. Porque a gente não aceita essa situação, morando na cidade mais rica do Alto Tietê. Mogi das Cruzes arrecada mais de R$ 1,5 bilhão de impostos e as crianças ficarem há mais de 10 anos nessa situação”, diz uma mãe que prefere não ser identificada.

O desabafo é da mãe de um aluno da escola, que fica no distrito de Taiaçupeba. A denúncia de que as crianças dessa escola estariam tendo aulas em tendas ganhou repercussão depois que algumas imagens foram parar na rede social. Pelas fotos, é possível perceber que esse problema é antigo.

Antes da pandemia, as crianças já enfrentavam essa situação. Vital de Souza era professor da unidade na época em que as tendas foram montadas pela primeira vez. Ele explica que elas foram instaladas para suprir uma demanda, mas que era para ser provisório.

“Em 2010, aqui no Cecília, eu lecionava teatro, música e xadrez para as crianças. Uma das opções foi ter tendas nas escolas, por causa que era uma demanda demais. Começou o tempo integral nas escolas, então começou a vir muitas crianças para as salas de aula. Uma das opções foi tendas. Mas elas eram felizes nas tendas, Era muito legal. Lógico, de início era tudo muito limpinho, arrumadinho. Eles sofriam no frio sim, tinham as dificuldades de ter aula no frio, na chuva. No calor tinha que abrir as tendas. O que eu acho que faltou um pouco de atenção e responsabilidade da Secretaria de Educação e da Prefeitura, não custava nada anualmente eles trocarem a tenda, pelo menos. Depois de 12 anos você entrar na rede social e ver uma coisa toda defasada, aí não foi bacana”, diz o professor.

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Cansada de esperar por uma solução, uma outra mãe chegou a tirar o filho do ensino integral por causa da falta de estrutura do espaço.

“Eu tirei o meu filho do período integral, porque a escola está superlotada, não tem condições, não tem estrutura. Eles estavam nas tendas, de fato, e essas tendas já existem na escola há muitos anos, e eu tive a opção de tirar, embora ele ficou muito triste, que ele gosta da escola, a escola é muito boa, mas a estrutura não está comportando os alunos do período integral”.

Quem ainda leva o filho pra escola, acompanha de perto a situação. A diarista Ana Maria Inês Goulart Freire comenta sobre as condições da unidade de ensino. “Eu acho péssimas condições, as crianças podem tomar frio e vento e no calor é muito quente”.

A estudante Nicole Nunes Martins corrobora com a afirmação de Ana Maria. “É muito mato, muitos animais por aqui também. É perigoso, então não é muito legal. Eu não acho muito legal, acho que deveria arrumar, dar aulas para as crianças nas salas de aula, não em tendas.”

De acordo com essas mães, a Prefeitura diz que não pode construir na escola porque é uma área de manancial, e por isso no começo do ano passado, uma nova unidade foi prometida para a população.

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Mas o que elas querem saber mesmo é como ficam as crianças agora, até que esse novo espaço fique pronto.

“Informações que eu tive agora, existe um terreno e já tem um projeto, existe um projeto, só que pelo que eu fui informada ainda leva muito tempo por conta da burocracia, até essa escola ficar pronta. Enquanto essa escola não ficar pronta, quantos anos mais nossos filhos vão ficar embaixo de tendas, embaixo de tendas, embaixo de galpões. Taiaçupeba é um lugar que faz muito frio, chove, tem temperaturas de nove, dez graus. E no inverno, como que nossas crianças vão ter aula em espaços abertos?”, questiona uma das mães.

Por nota, a Prefeitura de Mogi disse que não há superlotação na escola e que a unidade atende 350 crianças, o que corresponde a 85% da capacidade total do prédio. Também disse que há uma restrição no local para novas construções no terreno da escola, que está em área de preservação ambiental.

O projeto para construção de um novo prédio está em fase de análise, mas o início das atividades está previsto somente para o início de 2024.

A Prefeitura também informou que não há aulas em tendas, que as atividades são realizadas nas salas de aula e que a escola contava com duas tendas instaladas na parte externa para a realização das oficinas do contraturno.

Disse também que as tendas foram retiradas e as atividades estão sendo realizadas desde a última terça-feira (12), em um espaço apropriado nas imediações da escola e que o espaço externo da unidade escolar recebe manutenção constante.

Em relação a este espaço apropriado, a administração municipal disse que “os alunos estão participando das oficinas em um espaço de um empreendimento local, que está possibilitando a realização das atividades de contraturno do período integral de forma apropriada”.

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