Estudantes de Mogi sofrem com falta de transportes, após um mês sem aulas

Estudantes de Mogi sofrem com falta de transportes, após um mês sem aulas
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Mais de um mês depois da volta às aulas presenciais, parte dos alunos da rede estadual de Mogi das Cruzes, está sem frequentar as aulas por falta de transporte, segundo os pais dos estudantes.

As aulas do Matheus dos Santos Reis começaram há quase um mês, na Escola Estadual Jovita Franco Arouche, na Vila Lavínia. A distância entre a escola, na região de Braz Cubas e a residência do aluno, na Estrada do Rio Abaixo, é impossível percorrer a pé.

“Além de ser longe, pelo caminho daqui é pernilongo logo de manhã. Ele pega das sete as quatro. Eu tenho que sair seis horas da manhã. Gasto com ônibus de linha, não dá. Sem condições nenhuma”, comenta a mãe do aluno, Elza Reis.

Sem o transporte escolar, Matheus não vai a aula há três semanas e fica em casa assistindo TV. “Eu estou sentindo muita falta mesmo da escola. Queria ir à escola pra estudar, pra ficar um pouquinho mais esperto, mas não estou conseguindo, porque não tem ônibus”.

Pela Estrada da Volta Fria, outros estudantes também estão na mesma situação. Ao menos 15 mães já se reuniram, procuraram a associação dos moradores para, juntas, relatarem a situação da falta de transporte escolar à secretaria de estado da educação. “Foi passado que as mães teriam que esperar o estado liberar para poder eles contratar uma van sem expectativa de prazo”, explica a presidente da associação de moradores da Volta Fria e Adjacências, Vera Lucia Ferreira.

Enquanto isso, a Kauane, vai para aula quando dá. A mãe dela, Elisabete dos Santos, não tem dinheiro para pagar a condução todos os dias até a Escola Estadual Professor Claudio Abraão, em Braz Cubas. “Eu gasto R$ 100 de condução por semana, de segunda a sexta. Por dia, gasto 20 minutos para ir e 20 minutos para voltar. Não dá. Só que não sei mais o que fazer. Quando ela não vai, ela chora muito, porque ela quer estudar. Então, é difícil, porque como eu vou andar quantos quilômetros até essa escola?”

No dia 25 de fevereiro, a produção do Diário TV entrou em contato com a Secretaria da Educação do Estado. Por meio de nota, a pasta disse contemplar todos os alunos nessa situação com o transporte escolar. Entre eles, o Matheus.

Para resolver a situação, a secretaria disse que está elaborando um processo de contratação emergencial do serviço e deu a previsão para ser finalizado até a retomada das aulas, depois do carnaval.

No ultimo dia 3, um novo posicionamento foi pedido à pasta. De acordo com a nota, a contratação da empresa vai ocorrer quando os trâmites processuais forem finalizados.

Um novo prazo, então, foi solicitado, mas a secretaria não respondeu o questionamento. Entre justificativas e promessas, alunos e pais sentem o drama de viverem esquecidos e privados de um direito básico: o da educação. “Eu fico revoltada, né? A gente sabe que é uma obrigação. Fica muito difícil não ter o transporte. A gente não tem dinheiro todo dia pra eles irem e voltarem”, reclama Maria Socorro Santos.

Nesta terça-feira (8), novamente a produção do Diário TV entrou em contato novamente com a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo e recebeu a mesma nota: que os trâmites para a contratação do transporte deve ser ainda neste mês. A produção solicitou um prazo e, por telefone, a assessoria de imprensa informou que a contratação emergencial vai ser feita em março.

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