Mogi estuda criar corredores de ônibus para o transporte público na cidade

Mogi estuda criar corredores de ônibus para o transporte público na cidade

Estudo de 2019 já previa a implantação de corredores viários de ônibus na cidade. Usuários alegam vários problemas no transporte coletivo de Mogi.

O transporte público em Mogi das Cruzes está passando por alguns estudos. Recentemente, a prefeitura lançou uma licitação para fazer exatamente o que previa um estudo de 2019 e chegou a ser descartado: corredores de ônibus.

Quem depende de transporte público na cidade, sabe que o dia a dia não é muito fácil.

“Lotado. Hoje mesmo eu vim de manhã porque tinha um exame para fazer, tinha muita gente no ponto. Eu não sei se mudou o horário, mas tinha muita gente e o ônibus muito lotado, muito lotado mesmo. Ainda mais agora que já entram as férias, estava lotado da mesma maneira. Eu não sei se tiraram devido às férias, talvez eles tenham até reduzido os horários. Mas a gente que é usuário nunca sabe. Eles nunca avisam quando tiram horário ou quando reduzem horário”, disse a dona de casa Ana de Jesus.

E nos horários de pico e aos finais de semana, parece que a situação piora, segundo Ana.

“É terrível, sabe, principalmente no feriado. Feriado não tem horário de ônibus e é um só na linha. Às vezes você vem fazer alguma coisa na cidade, ainda mais se o feriado emenda, tipo, o feriado é na quinta, na sexta-feira eles colocam o horário de domingo. Você não tem horário de ônibus, você fica esperando ônibus há um tempão e pagando valor, pagando passagem, quando não vem lotado”.

Para tentar fugir desses problemas, alguns até tentam outras opções.

“Eu faço fisioterapia duas vezes a três na semana, então eu tenho sempre que pegar uma carona com meu esposo para me deixar perto, para eu poder pegar o ônibus para chegar mais rápido, senão eu chego atrasada. Porque o 110, ele mudou praticamente o horário e se eu for no 110, que é a linha que passa perto da minha casa, eu chego atrasada”, explica a artesã ANA PAULA SILVA DE OLIVEIRA

“Às vezes eu pego Uber, às vezes. Mas é ruim pegar o Uber, aí a gente tem que gastar, e eu uso isso aqui [mostra o cartão do transporte público]. O meu é de idoso”, disse Renata Abigail.

“Antigamente eu usava Uber, mas como aumentou bastante o valor, eu voltei a utilizar o ônibus. Mas está demorando demais, muito mesmo. Eu já estou há uma hora esperando a linha que eu uso para ir para a casa”, contou a balconista Renata Soares.

A Prefeitura de Mogi das Cruzes vem realizando algumas mudanças com o objetivo de modernizar e aumentar a eficiência do transporte público na cidade. Algumas já estão em fase de teste, como por exemplo, a implantação dos ônibus expressos, que ligam os terminais Central e Estudantes sem parar em nenhum outro ponto e a linha azul, que percorre as unidades de saúde da cidade. Mas tem gente que diz ainda não consegue ver melhorias, como a trancista Paula Rosa.

“Eu acho que a pior mudança é a questão dos Circulares, do Expresso, Saúde, que passam o tempo todo, indo e voltando vazios. E eles tiraram os ônibus que a gente usa mesmo. O Jardim Camila, por exemplo, é o ônibus que eu pego que era um ônibus que tinha frequente e agora não tem mais. Agora a gente fica 40, 50 minutos no ponto. Agora que ele está aparecendo aí”.

Um estudo realizado em 2019 previa a construção dos corredores viários. Ele chegou a ser entregue para a prefeitura, mas a atual gestão descartou o projeto e disse, na época, que há uma nova visão sobre a mobilidade urbana na cidade.

Mas no começo deste mês de julho, foi publicado um aviso de licitação que visa justamente a criação destes corredores de ônibus, fazendo a interligação dos terminais Central e Estudantes.

Segundo informações da prefeitura, os corredores devem passar por ruas da região central, como a Barão de Jaceguai, Olegário Paiva, Avenida Voluntário Pinheiro Franco, entre outras. O objetivo é desafogar o trânsito e trazer benefícios também para os motoristas. Mas tem gente que fica na dúvida se isso vai funcionar.

“Mas aqui não tem como. Aqui tem um corredor dos ônibus mas a gente tem que ir também. Porque se a gente não for no corredor dos ônibus a gente para”, disse o motorista por aplicativo Rogério Aparecido.

Enquanto as mudanças não acontecem, quem encara o transporte coletivo fica no aguardo e na esperança de melhorias.

“Se realmente fizer o que eles prometem, seria bom. Seria muito bom”, disse a dona de casa Francisca Ribeiro.

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