Mogi: Pacientes que dependem da Farmácia de Alto Custo enfrentam atrasos para receber remédios

Por Luana
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Mogi: Pacientes que dependem da Farmácia de Alto Custo enfrentam atrasos para receber remédios

Pacientes relatam que atraso na chegada dos remédios atrapalha o tratamento e provoca muitas complicações, como dores fortes e dificuldade de locomoção.


Quem depende da Farmácia de Alto Custo para fazer tratamentos vive apreensivo em relação aos prazos de entrega dos medicamentos em Mogi das Cruzes. Pacientes que cuidam de doenças que causam inflamações e dor, por exemplo, reclamam do atraso na distribuição e da insegurança que ele provoca.

A bolsa que deveria guardar o medicamento está vazia. Samanta de Almeida tem espondilite anquilosante, um tipo de inflamação que afeta principalmente as articulações. Ela precisa de quatro ampolas a cada oito semanas do medicamento infliximabe.

Samanta descobriu a doença em 2019 e soube que o remédio é fornecido pela Farmácia de Alto Custo de Mogi, mas ter o medicamento em mãos não tem sido fácil. “A dificuldade está imensa, porque a falta e os atrasos são muito grandes. A gente sabe que a medicação vai chegar, porém ela chega com atraso. Então as pessoas ficam com 40, 50 dias, dois meses de atraso”.

Grupo reúne pacientes com dificuldades para obter remédios — Foto: Reprodução/TV Diário

A doença não tem cura, mas o uso de remédios ajuda a diminuir as dores e evita o avanço. “Se eu ficar sem medicação, eu fico com dificuldade de levantar. Para ir ao banheiro, meu marido tem que me ajudar quando está em casa”.

“Quando estou sozinha, eu tenho que me virar mesmo. A dificuldade é imensa. Fora as inflamações, que aumentam tanto a ponto de eu ter que ficar repetindo cirurgias para reparar os danos que a doença causou nas articulações, na coluna, no quadril, no joelho”.

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Samanta conta que o custo da medicação foge totalmente da realidade dela. “É impossível. Eu não tenho casa própria, mas quem tem casa própria venderia a casa para conseguir alguns meses de tratamento, porque, para mim, ela custa, em média, R$ 20 mil”.

A professora Adriana Cavalcante de Oliveira também depende da Farmácia de Alto Custo para conseguir medicamento. “Descobri a minha doença no começo de dezembro de 2021 e dei entrada na Farmácia de Alto Custo uma semana depois”.


“Eles marcaram para receber esse medicamento no dia 20 de janeiro. A partir de então, todo dia eu ligava, mas nunca tinha esse medicamento. Eu recebi quase um mês depois. Já fico preocupada, porque dia 20 de maio tenho que tomar minha dose de reforço. Eu ligo lá, e eles falam que não têm previsão”.

O que não falta são pessoas na mesma situação que Samanta e Adriana. Em um grupo de aplicativo de mensagens, mais de 250 pessoas falam sobre a dificuldade em conseguir o remédio. A professora Regiane Flávio de Souza é uma das participantes. Ela convive com a Doença de Crohn desde os 12 anos. Em 2017, precisou mudar o tratamento e fazer uso do infliximabe.

“Eu já fiquei sem receber a medicação por um período de dois meses. Dessa última vez, fiquei três semanas em atraso. Esse período afeta muito a nossa vida laboral. Conforme os dias vão passando, nossa saúde vai sentindo os efeitos. Começa com uma fadiga muito grande, cansaço, muita dor, que você tem que ir ao hospital para tomar remédio para não sentir dor. Tirando as outras questões. Como é uma doença no aparelho digestivo, ela desregula toda a nossa função digestiva”.

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Sem conseguir respostas sobre a falta do remédio, Regiane decidiu investigar por conta própria. “O Ministério da Saúde faz a compra dessa medicação, passa para os estados, e os estados passam para os municípios. Só que, se esse remédio está sendo comprado, a gente precisa saber onde está esse remédio, que não está chegando no consumidor final, que somos nós, pacientes. É um remédio que não temos condições de comprar”.

O que dizem os responsáveis

A TV Diário entrou em contato com o Ministério da Saúde, que ainda não respondeu aos questionamentos. Já o Governo do Estado de São Paulo informou, em nota, por meio da Coordenadoria de Assistência Farmacêutica, que Regiane já conseguiu retirar o medicamento infliximabe em abril.

“O medicamento é de responsabilidade de aquisição e distribuição do Ministério da Saúde. A pasta estadual apenas redistribui o medicamento. Desde o ano passado, os medicamentos de responsabilidade federal têm sido abastecidos com atrasos e entregas parciais. A pasta estadual segue cobrando o Governo Federal para a regularização das entregas para que os pacientes não sejam prejudicados em seus tratamentos”.

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