Moradores de Mogi reclamam da situação do transporte público municipal

Por Luana
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Moradores de Mogi reclamam da situação do transporte público municipal

Demora no intervalo de ônibus e veículos lotados são os principais motivos das reclamações dos usuários. Situação é observada tanto na semana como também aos finais de semana.

Usuários do transporte público de Mogi das Cruzes reclamam da situação dos ônibus da cidade. O pedido de socorro partiu de um morador do bairro Porteira Preta, mas quando resolvemos acompanhar a realidade dele e de quem depende de ônibus na Avenida Japão não faltou gente para reivindicar melhorias.

O sol se pondo e é hora de movimento por aqui. É que todo mundo está louco para voltar para casa depois de um dia inteiro de trabalho. Mas quem depende de ônibus, o “segundo turno” está só começando.

“A gente fica aqui esperando tem vez que uma hora. eu saio 17h do serviço para a gente poder entrar dentro do ônibus, a gente vai ver e é quase 18h. Quando dá para entrar, quando a gente não tem que ir na porta. Os ônibus vêm todos cheios, lotados. E é nossa rotina, do dia a dia. cansada, ter que ficar esperando o ônibus e quando vem eles não param de tão cheio que estão”, disse Raryane Stephany, técnica de farmácia.

E não é mentira da Raryane. Ela até sentou pra não cansar ainda mais.

O Diário TV acompanhou a volta de algumas pessoas que usam as linhas que vão para bairros, como Jardim Planalto, Conjunto Santo Ângelo e Vila Cintra. Esse último é o destino do empacotador Maiki Soares Rodrigues. Ele conta que a volta pra casa normalmente é complicada.

“De manhã ele vai um pouquinho cheio, ele fica vazio. Na hora de ir embora, vai cheio, demora”.


A cozinheira Conceição Bezerra, compartilha da mesma opinião. “Muito cheio. 6h30 para gente estar vindo é lotadíssimo, é uma guerra para a gente entrar no ônibus. Na volta, esse horário que eu pego não é tão cheio cheio, mas para vir de manhã é muito cheio”.

Dessa vez, o ônibus da Vila Cintra chegou mais tranquilo e deu pra embarcar com segurança. Situação bem diferente que aconteceu com Luiz Pereira Maciel. O porteiro também pega ônibus todos os dias. A linha que ele usa é a E203, Conjunto Santo Ângelo.

“Muito difícil. A partir das 17h10, a gente tem uma dificuldade grande de pegar o ônibus, porque o motorista não para. Super lotado. Às vezes passam dois, três ônibus e não para. Já liguei no 156, não funciona, é só paliativa, só medida paliativa. não tem como funcionar lá e eles sempre dão uma desculpa, que vai resolver e não resolve. Liguei na empresa e são as mesmas conversas e nada até agora. Estou com protocolo de reclamação, estou com vários pedidos para fazer alguma coisa nessa linha aqui desde março.

Ele conta ainda que já chegou a entrar pela porta de trás do coletivo por causa da superlotação.

“Sexta-feira isso acontece direto. E como tem bons motoristas, às vezes para o ônibus e deixa a gente entrar. Senão, você fica esperando o próximo. tem vezes que eu chego 18h30 em casa, chego aqui 17h, como você está vendo hoje. Na verdade, o que acontece: a linha Santo Ângelo é a única linha que faz corredor de ônibus do shopping-bairro. Não tem outra linha. enquanto não colocar outra linha parque olímpico fazendo esse itinerário, vai continuar sobrecarregando. Pode fazer o que quiser, mas se não colocar outra linha aí não vai funcionar”.

Às 17h20, um ônibus Conjunto Santo Ângelo apontou lá na frente, o que gera expectativa para ver se vai dar para seguir viagem. Mas quando a porta abre, a situação é complicada.

“Não tem como entrar nesse ônibus, está difícil. o ônibus está super lotado e todo dia é isso aqui, quando para, essa aqui parou. vou nesse, vou ver se me encaixo aqui”, disse Luiz.


Ele fica quase fora do ônibus. Ficou algum tempo conversando com o motorista para ver o que fazia. No fim, a porta fechou e ele foi espremido mesmo.

Essa linha é a mesma que a Raryane estava esperando. Ela nem tentou entrar no coletivo. “Sem condições, o cara estava quase caindo ali na porta. Todo dia assim, nesse mesmo horário. Agora mais meia hora para vir outro desse jeito. Mais um tempo esperando”.

Prevendo que a situação seria um dia difícil, a técnica de farmácia cogitou chamar um carro por aplicativo. Resolveu esperar mais um pouco.

Três minutos depois, chegou mais um ônibus e mesma situação. De novo, não deu para entrar pela porta da frente. O jeito foi tentar por trás. apesar de cheio, deu para subir.

Quem não conseguiu entrar dessa vez e ficou pra trás foi o tosador Vitor Elias dos Santos Jesus. “Toda vez é mesma coisa. Não dá para pegar, é isso aí, passo por um, dois, três e espera a oportunidade de poder entrar. Mas todo dia é a mesma coisa. Dificilmente consigo entrar nas primeiras tentativas e quando entro é isso aí, super lotado. Para passar pela catraca também só lá embaixo e toda vez é a mesma coisa”.

“Fico esperando, trabalho, pego a passagem certinha da semana. Não dá para chamar um aplicativo também, aí eu fico esperando. Vamos ver até que horas vai vir o próximo, se der para entrar no próximo também”, completa Vitor.

Perto das 18h, a cozinheira Neide Cerqueira, mais uma passageira da linha E203 que espera o ônibus, também reclamou da superlotação.


“A gente fica tudo pendurado na porta, um pouco as pessoas não colaboram. eu fico aqui. Às vezes, 30 minutos ou mais porque passa ônibus, tem ônibus, mas está lotado, precisa de mais. E eles vêm sempre juntos, soltam três de uma vez para o Santo Ângelo. Como é circular, voltam todos juntos. Então, a gente fica fica sem opção. Para vir, é mais vazio. É bom na parte da manhã, mas a tarde é um horror”.

Quem tava esperando o ônibus do Jardim planalto também tava reclamando.

“Antigamente, tinham dois ônibus. Tinha o Alto Guaianeses e o Jardim Universo, que dava a volta. Agora, para eu ir para casa só tem um, que é o Jardim Planalto. Ele passa em torno de 17h45 a 17h50. Isso quando passa, porque às vezes aqui fica muito escuro, então é um local perigoso. E para eu poder vir da minha casa para cá eu venho a pé, do Jardim Universo até o parque da cidade, no local onde eu trabalho. Porque se eu pegar o onibus, esperar o ônibus que passa lá, que é o único, o Jardim Planalto, que é mais o menos 7h40, eu vou chegar atrasada, então, para eu não chegar atrasada no meu trabalho eu venho a pé”, disse a orientadora social Vagna Moreira Fernandes.

A medida que o tempo foi passando, os ônibus começaram a passar um pouco mais vazios. Aliás, menos cheios. Depois de cinco minutos, Vitor e Neide conseguiram embarcar no ônibus do conjunto Santo Ângelo.

Por último, chegou o ônibus do Jardim Planalto, de Vagna, que conseguiu ir bem mais tranquila que os outros passageiros dessa vez.

“Nessa pandemia, de 15 a 20 minutos tinha ônibus. Depois que entrou a pandemia, deram aquela redução, cortou. Até aí tudo bem, só que agora qual é a desculpa?”, questionou Vagna.

Situação aos fins de semana
Além dessas reclamações, a produção do Diário TV recebeu muitas outras sobre os problemas dos ônibus das linhas municipais de Mogi. Muitos passageiros contam que perdem compromissos porque a espera pelo transporte às vezes ultrapassa uma hora e a situação piora nos fins de semana.


“Está horrível. está muito péssimo, muito péssimo mesmo”. É assim que a técnica de farmácia Fátima Crispim define o transporte público de Mogi das Cruzes. Ela usa a linha 203, que atende o bairro Conjunto Santo Ângelo. Por causa do intervalo entre os ônibus, a volta do trabalho tá mais demorada.

“Fico 40 minutos, 50 minutos aqui. saí do plantão 7h, passei no mercadão, vim aqui e estou aqui até agora”, disse Fátima.

E no Terminal Central de Mogi, não faltam reclamações. A cuidadora Vilma dos Santos também mudou a rotina por causa da demora dos ônibus.

“Eu pego todos os dias o [ônibus] Jardim Camila. Ele demora muito, passa de 40 em 40 minutos. intervalo é muito longo”.

E as linhas com problemas são várias. A aposentada Jeni Aparecida de Assis usa a 507, da Vila Aparecida e, mais uma vez, o tempo esperando o ônibus está complicado.

“Tem dia que a gente fica uma hora, uma hora e pouco no ponto e o ônibus não vem”, disse a aposentada.

Para algumas pessoas que usam o transporte público, podem até existir outras opções, outras linhas, como no caso do cuidador Ricardo Tiago Pereira. Para chegar ao trabalho, ele tem três opções.


“Muitas vezes até tem três opções mas demora bastante. Principalmente aos finais de semana, que não segue o cronograma que é colocado no site e tudo mais”.

Sônia medeiros gravou um vídeo que mostra a situação do Terminal Central de noite. Segundo ela, a enorme fila é consequência dos atrasos dos ônibus que acontecem frequentemente.

Se os problemas não escolhem horário, também não escolhem lugar. Em regiões mais afastadas do Centro, como o distrito de Biritiba Ussu, o transporte público também deixa a desejar, como conta o atendente de marketing Diego César Martins de Mattos.

“Quem faz faculdade, quem tem que pegar trem na [Estação] Estudantes, que é mais vazio ou quem tem que trabalhar para o outro lado da cidade, ficou ruim. Porque a pessoa tem que descer no [Terminal] Central, pegar outro ônibus para ir para a Estudantes. Ou então descer na Copacabana e pegar outro ônibus para ir para a Estudantes, isso se a pessoa tiver o cartão [do sistema integrado], aí é uma integração só. Se for dinheiro, são R$ 10 por dia em uma viagem só. Para voltar, são mais R$ 10, então não acaba valendo a pena”.

Biritiba Ussu, assim como o bairro do Cocuera e o Conjunto Toyama, fazem parte de um projeto piloto da prefeitura de Mogi das Cruzes. O objetivo, segundo a administração municipal, é garantir viagens mais rápidas. Também foi criada a linha expressa, que une os terminais Central e Estudantes sem paradas no caminho. Mas para o Diego, essa opção não tem funcionado muito.

“Falaram que ia ser de cinco em cinco minutos. Mas assim, eu pego esse ônibus e não vejo de cinco em cinco minutos. Às vezes pode até ser de cinco em cinco minutos, só que para atravessar a cidade não demora cinco minutos. Se um ônibus que eu pegava antes no Carmo 17h18, agora eu tenho que pegar o de 17h50 que sai lá do Central, porque eu tenho que ir andando do trabalho até o Central. Então, acaba que não vale a pena, eu ando mais”.

Respostas da Prefeitura
Leandro Barcelos Porto, diretor da secretaria de transportes de Mogi das Cruzes, explica a razão da lotação dos ônibus da linha do Conjunto Santo Ângelo.


“Nós fizemos um trabalho no corredor da Avenida Japão para identificar os principais pontos de embarque e a concentração maior de pessoas. Em cima desse estudo, nós vamos programar uma nova tabela de horário de atendimento, porque nós identificamos alguns horários que são mais críticos e, principalmente, alguns hábitos que são mais repetitivos, no sentido de comuns à maioria dos usuários. São as linhas que atravessam o centro, então elas sofrem este impacto da área central, essa imprevisibilidade do trânsito. É bom destacar que a vida voltou ao normal, então nós temos mais veículos, temos mais pessoas circulando na área central e todas as linhas que têm esse comportamento radial, como a gente chama de cruzar a área central, elas sofrem com esse impacto”.

O diretor também comentou sobre o prazo para que as alterações aconteçam. “Nossa intenção é iniciar isso o mais breve possível, essas mudanças, esse novo conceito em alguns corredores, o corredor da [Avenida] Japão é um deles. A nossa ideia é começar o quanto antes”.

Sobre a quantidade da frota de veículos utilizada no momento, . “Até antes da pandemia já tinha essa situação. é uma questão de comportamento, questão de ajuste da realidade da cidade. então, ela independe do período em que a frota esteve reduzida, como foi na pandemia, ou dos períodos em que ela está normalizada, como antes e agora. hoje nós estamos operando com 100% da frota operacional”.

“Todas essas linhas têm em comum esse fato, elas atravessam a área central. Saem de um extremo da cidade e elas vão para um outro extremo. Elas não têm essa organização que está dentro de um conceito novo de transporte que nós estamos tentando implantar no município. Estamos implantando aos poucos, ainda estamos no projeto piloto – de reorganização desses fluxos. Esse movimento que atravessa o centro antigo, que é complicado, que concentra os veículos e tem ruas estreitas, ele sofre esse impacto e, principalmente, nesse horário. Acredito que as reclamações se concentram nos horários de pico, onde todos estão fazendo o mesmo movimento, Centro-bairro ou bairro-Centro”.

“Nós temos acompanhamento pelo sistema de GPS, todo ônibus da frota municipal tem esse monitoramento. Recebemos as reclamações através dos canais oficiais da ouvidoria e, principalmente atualmente, do fale conosco, que é um serviço que o usuário se aproxima do departamento de transportes e da secretaria de mobilidade como um todo. É um canal para ele poder ter um contato mais rápido e uma resposta mais rápida do poder público nesse caso específico de transporte, da mobilidade de ônibus”.

Sobre as reclamações dos usuários que utilizam linhas que fazem parte do projeto piloto, o diretor afirma que a avaliação do poder público é positiva.

“Dentro da nossa avaliação, o funcionamento dele é muito positivo. O que nós orientamos ao passageiro: que ele procure sempre a informação oficial, no site da prefeitura e que ele faça o cartão. O cartão já existe desde 2010. Ele podia não ser interessante antes, no momento em que tinha aqueles cruzamentos de linhas pela área central, mas hoje ele é muito importante até para reduzir o tempo de embarque. Nós temos a linha expressa e as linhas circulares que ainda estão com um volume menor de passageiros por causa dessa adesão do cartão”.


O diretor também informou que a Secretaria de Transportes busca ampliar o projeto piloto em outras regiões da cidade. “A ideia nossa é testar a funcionalidade dele, nesse período do projeto piloto. Não se trata de um teste se funciona ou não. Na verdade estamos avaliando o desdobramento dele em relação ao trânsito. Nós conseguimos perceber que essas linhas que são do projeto piloto elas não sofrem o impacto do trânsito na área central”.

Por fim, o diretor disse que está acompanhando a situação dos terminas Central e Estudantes, que recebem reclamações de atraso e filas longas por parte dos usuários. ” São nas linhas e plataformas que ainda têm esse comportamento de atravessar o Centro e acabam sofrendo esse impacto, essa imprevisibilidade do horário. É muito importante que o passageiro se programe, para ele ir ao ponto ou ir até o Terminal no horário próximo do embarque, para que não tenha esse tempo de espera. Hoje o nosso grande elemento, a grande variável que é difícil de prever é o comportamento do trânsito”.

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