Moradores de ocupação no Oropó afirmam que Prefeitura de Mogi fez uso da força para tirá-los de casa e derrubar suas moradias

Moradores de ocupação no Oropó afirmam que Prefeitura de Mogi fez uso da força para tirá-los de casa e derrubar suas moradias
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Moradores de ocupação no Oropó afirmam que Prefeitura de Mogi fez uso da força para tirá-los de casa e derrubar suas moradias.

Embaixo da lona, estão os pertences das nove famílias que estavam nesse terreno há mais ou menos duas semanas. Segundo Patrícia Regina Rodrigues Galvão, equipes da Prefeitura de Mogi das Cruzes estiveram nesta quarta-feira (13) no local para derrubar de novo as moradias.

“A abordagem deles, da Defesa Civil, foi muito agressiva. Chegou já derrubando tudo, não quis saber de conversar e eu falando que eles não podiam tirar a gente. Eles não quiseram saber, pegou a gente pelo braço duas vezes, queria me algemar de qualquer jeito, falou que ia me levar para a cadeia, falou que ia levar meus filhos para o abrigo. Isso eu achei muito errado. Porque, como eu falei para eles, eu estava dentro do barraco, eu estava morando, então não podiam tirar mais a gente. Ele não quis saber, falou assim ‘vou levar você para a cadeia se você não sair do barraco’. Eu falei que não ia sair. Nessa aí ele me pegou e me puxou para fora e começou a derrubar todinho o meu barraco. Querem humilhar a gente primeiro para depois deixar a gente ir sossegado. É assim que eles estão fazendo. Mas a gente vai lutar, até o final”, disse Patrícia, que está desempregada.

Shirlei Aparecida de Sousa Balduino é outra moradora da área. Ela também reclama da forma como a ação foi feita.

“Eles não chegaram conversando, só pediram para todo mundo sair de dentro e não tinha papel nenhum”. Ela também aponta quem participou da operação “A GCM, a Defesa Civil, a Prefeitura e a Ambiental” “A gente se sente como um lixo, porque é desumano isso. Todo mundo tem o direito de ter um canto para morar. E se a gente está aqui é porque a gente precisa, a gente não tem como poder estar indo correr atrás. Porque com um auxílio de R$ 400 você não faz nada porque, se você compra uma coisa, falta outra”, explica Shirlei.

Os moradores gravaram vídeos do momento da ação que aconteceu nesta quarta. Imagens mostram um agente com a roupa da Defesa Civil imobilizando um homem em cima de uma cama.

Outro vídeo mostra agentes retirando uma televisão que estava dentro de uma das moradias. O equipamento é da Vitória Gabriele Martins dos Santos. Ela conta que sua família foi retirada do local à força.

“Tiraram a gente no meio da chuva, 7h. Eu mesmo fui tirada à força da minha casa. Eu tenho os vídeos. Eu com meu filho no colo, em cima da cama, um pegou por uma perna e outro pela outra e me puxaram. Eu quase fui agredida porque eu não quis me retirar da minha casa, da minha residência. Só que eu acho uma falta de preocupação com a gente. Eles estão fazendo descaso com a gente, porque se a gente não precisasse, de verdade, de coração, a gente não estaria aqui, passando por tudo isso”.

Essa foi a segunda ação da Prefeitura de Mogi nesta semana na região do Oropó. Na segunda-feira (11), equipes de fiscalização das secretarias municipais de Planejamento e Urbanismo e de Segurança, com apoio da Guarda Civil Municipal, já tinham desmontado as moradias.

Junto com as casas, uma ponte que ligava o terreno à rua principal também foi desmontada. No final da tarde desta quarta, os moradores tentavam reconstruir a estrutura.

“A gente não tem para onde ir, porque o que eles disponibilizaram foi um local para se alimentar, para comer e para tomar banho. Não para dormir e nem para residir no local. E a gente vai fazer isso onde? A gente vai ficar aqui na nossa casa, não tem o que fazer. Eles vieram sem ordem judicial, quebraram tudo, botaram nossos móveis para fora. Está tudo jogado e abandonado. Destruíram a maioria das coisas. Até as coisas das crianças. Perdemos leite, perdemos brinquedos, perdemos tudo das crianças”.

Em entrevista ao Diário TV, o secretário de Segurança, Toriel Sardinha, justificou a ação da administração municipal. “Aquela área é uma área de propriedade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), é uma terra pública e nós recebemos denúncias de que as pessoas estavam invadindo. Isso na segunda-feira. Os fiscais foram lá, fizeram a derrubada dos barracos que estavam vazios e eles [moradores] falaram que iam reconstruir”.

Ele também afirma que a Prefeitura não pode permitir esta situação. “Eram oito barracos. Cinco barracos as pessoas resolveram sair voluntariamente, mas três, infelizmente, resistiram. O poder público, numa situação dessas, não pode se furtar de sua responsabilidade. Deixar as pessoas naquela situação, irregular, de invasão e, principalmente, numa área de risco como era lá, era responsabilidade do poder público”.

Sobre o uso da força por parte dos órgãos que participaram da derrubada das moradias, o secretário afirmou que os moradores não foram agredidos. “As pessoas que não quiseram sair voluntariamente, elas tiveram que ir conduzidas. Não houve agressão, houve imobilização. Inclusive, tendo em vista as informações que foram passadas, havia incentivo do crime organizado para que ocupassem a área.”

Sardinha também disse que esta ocupação no Oropó se trata de uma invasão em andamento. “A gente tem que diferenciar uma ocupação consolidada e uma invasão que está em andamento. Numa invasão que está em andamento, o poder público não só pode, como deve agir para que essa invasão não se consolide. A partir do momento que a invasão se consolida, somente pode ser desfeita com ordem judicial. Tem que entrar com uma ação de reintegração de posse para que as pessoas sejam retiradas”.

Em relação ao apoio da Prefeitura aos moradores que tiveram suas moradias derrubadas, o secretário disse que a administração pública ofereceu acolhimento. “A assistência social fez o atendimento de todas as famílias, foi ofertado o acolhimento social, só que eles não aceitaram. Eles falaram que eles tinham habitação atravessando o rio [Jundiaí] e todos ficaram nas casas que eles ocupavam, seja de parentes, própria ou alugada, eles tinham lugar para ficar.”

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