‘Se me perguntar se eu vou ter uma ceia de Natal eu não vou ter, porque eu não tenho nem uma coxa de frango para comer’, diz moradora de ocupação de Mogi das Cruzes

Famílias receberam doação de alimentos, brinquedos e roupas nesta quinta-feira.

Uma área de mais de 90 mil metros quadrados na Vila São Francisco, em Mogi das Cruzes está ocupada por famílias desde o começo do ano. Segundo a Prefeitura, o último estudo social indicou que 117 famílias vivem na área que estava ociosa.

A quinta-feira (23), começou com alegria e esperança para as famílias que vivem na ocupação da Vila São Francisco, em Mogi das Cruzes. Eles receberam alimentos, brinquedos e roupas que devem aliviar a dura realidade de adultos e crianças que vivem em barracos no local, sem água, luz e saneamento básico. A ação foi realizada pelo Coletivo Itapety.

A área tem mais de 90 mil metros quadrados e está ocupada por famílias desde o começo do ano. Segundo a Prefeitura, o último estudo social indicou que 117 famílias vivem na área que estava ociosa.

“É uma felicidade porque eu mesma eu ajudo as pessoas, se me perguntar se eu vou ter uma ceia de Natal eu não vou ter, porque eu não tenho nem uma coxa de frango para comer. Não interessa o que eu vou ter ou deixar de ter. Mas vendo as pessoas do meu lado que estão passando o que eu estou passando e ter a felicidade, principalmente, as crianças para mim é a maior felicidade do mundo”, conta emocionada Sônia Maria Silva Prates que mora na área.

Ela mora na ocupação há nove meses com o sobrinho. O caminho que a fez chegar até a ocupação da Vila São Francisco foi longo.

‘Se me perguntar se eu vou ter uma ceia de Natal eu não vou ter, porque eu não tenho nem uma coxa de frango para comer’, diz moradora de ocupação de Mogi das Cruzes
Sônia encontrou na ocupação da Vila São Francisco um espaço para morar — Foto: Gladys Peixoto/g1

Sônia diz que morava embaixo de torres de energia no Distrito de Jundiapeba. Mas o pai ficou doente na Bahia. Ela se desfez de tudo e foi cuidar do pai, mas ele morreu dias depois dela chegar na Bahia. “Eu não tinha para onde ir e apareceu aqui em março. Eu vim para cá e peguei no começo não tinha nada e cozinhava no fogão de lenha.”

Hoje ela é responsável por uma associação montada apenas com uma cobertura com telhas e restos de forração no chão. “E tudo que consigo eu divido com as pessoas daqui. Hoje eu me encontro no céu desde que eu cheguei aqui, porque aqui quando eu cheguei foi muito triste. Hoje eu tô no céu. Hoje aqui é tudo para mim, se eu perder aqui eu volto para a rua.”

Lohane Maisa Marques Pereira também mora na ocupação e procura ajudar os moradores atuando como uma agente de apoio para doações e educação infantil.

Ela destaca que a doação é importante para as famílias que pensam no que vão dar para os filhos no Natal. “Vem em um momento crucial de déficit habitacional enorme, tem famílias pegando osso de carro de lixo. Essa doação vem justamente nessa hora onde as famílias estão justamente precisando e ações como essa fortalecem o espírito de unidade da ocupação. Que é conseguir juntar pessoas que consigam se organizar para ajudar outras pessoas. Essa doação representa isso para a gente.”

Transformação

As doações foram levadas pelo Coletivo Itapety fundado em Mogi das Cruze em maio desse ano. Os jovens que participam do Coletivo trabalharam intensamente para conseguir as doações.

Eles fizeram uma campanha na internet para arrecadar dinheiro para os alimentos e brinquedos. E também conseguiram doações de verduras e legumes de pequenos produtores rurais do Distrito de Jundiapeba.

Nesta quinta-feira eles entregaram 150 sacolas com macarrão, molho de tomate e lata de sardinha para as famílias.

Além disso, o Coletivo Itapety conseguiu 150 pés de alface, em torno de 50 quilos de abobrinha e aproximadamente 60 quilos de beterraba que também foram distribuídos para as famílias. “O Coletivo surgiu da necessidade de lutar e resistir sempre contra essa crise humanitária e a ocupação Iluminados da Vila São Francisco é um grande foco dessa crise, do descaso do poder público. Essa área de grande perigo onde eles estão habitando. A gente não podia deixar de estar presente, principalmente, nessa época que para alguns é tão farta e para outros é tão escasssa”, explica um dos coordenadores do Coletivo, Mateus Oliveira Valiengo.

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