Clientes relatam que foram vítimas de golpe ao contratar buffet de Poá para festas de aniversário; especialista alerta para cuidados

Clientes relatam que foram vítimas de golpe ao contratar buffet de Poá para festas de aniversário; especialista alerta para cuidados

Relatos das clientes indicam que elas fizeram o pagamento do valor da festa, mas não conseguiram mais contato com a dona do buffet.

Clientes relatam terem sido vítimas de golpe ao contratar um buffet de Poá para a realização de festas de aniversário.

Foi lendo os relatos na página do buffet que a auxiliar administrativa Luciléia Neves percebeu que tinha caído em um golpe, dois dias antes da festa da filha dela.

“Eu sempre mandava mensagens para ela, mas ela já estava ficando meio estranha comigo. No dia 23, eu mandei mensagem e não tive retorno. No dia 24, às seis e meia da manhã, mandei mensagem e não tive retorno. Foi aí que entrei no Facebook dela e acabei descobrindo, pelo salão Rainha, que ela estava vendendo festas e não estava cumprindo o contrato. Descobri que tinha um monte de gente levando golpe dela”, relatou.

“Eu fui até o salão com meu esposo, porque ela morava na parte de cima e alugava embaixo, que era o salão de festas. Então eu nunca imaginaria que ela daria um golpe. Já que ela morava em cima, é confiável, né? Fui até o local onde ela morava. Chegava lá e tinha um telefone no salão. Meu esposo ligou para esse telefone, e a proprietária falou para mim que ela tinha fugido”.

Luciléia conta que foram cinco anos guardando dinheiro para conseguir pagar a festa, no valor de R$ 3,9 mil, que ela perdeu.

“Eu espero justiça. Eu sei que, se ela não devolver o dinheiro, ela ficou queimada e não vai mais poder enganar ninguém. Não foi só eu. Ela enganou muitas mães, muitos sonhos. Teve festa em que a moça chegou com a família dela, com os convidados e estava fechado. Eu quero que ela pague, porque é muito triste, muito frustrante”.

Segundo Luciléia, outras 50 pessoas contrataram o serviço desse buffet. A autônoma Marília Gabriela Rodrigues pagou R$ 2,8 mil para ter a festa do filho, que foi remarcada para março deste ano, por causa da pandemia. Mas, agora, ela está com medo de ter caído em um golpe.

“Eu entrei nas redes sociais, porque não estava conseguindo contato com a dona. Quando entrei, vi muitas mães reclamando que ela tinha sumido com o dinheiro. E realmente foi isso que aconteceu”, conta Marília.

“Ela sumiu com o dinheiro, não deu explicação. A gente não sabe onde ela está. Tentei ligar, mas não consegui. Só dá caixa postal. Mandei mensagem no WhatsApp e ela nem visualiza. Consegui o contato do pai dela. Mandei mensagem, tentei até entrar em um acordo com ele, para ele poder pagar o valor total, aos poucos, mas ele disse que não tinha nada a ver com a história e me bloqueou”.

A TV Diário fez contato com a advogada que representa Walkiria Passos Gonçalves Rodrigues, que é a dona do buffet. Ela disse que não se trata de um golpe e que a proprietária trabalha no setor há anos, mas teve problemas financeiros por conta da pandemia e não conseguiu cumprir alguns contratos com a qualidade que esperava.

A advogada disse também que os clientes não aceitaram rever os valores, já que tudo ficou mais caro de 2019 para 2021. Ela falou que a dona do buffet não está fugindo dos clientes, mas que pediu para a advogada atender a todos, pois está com muitos problemas de saúde.

A advogada disse ainda que já foram feitos alguns acordos extrajudiciais e que está à disposição de todos que tiveram contratos não cumpridos.

Já o salão “Rainha Festas e Eventos”, onde as festas seriam realizadas, informou em nota que se trata de uso indevido do nome do salão. Acrescentou ainda que houve, sim, em determinado momento, uma parceria com o buffet “Kit da Juju” e os eventos foram realizados. Nesses casos, os contratos de locação foram fechados diretamente com os clientes mediante disponibilidade do espaço.

Especialista alerta para cuidados antes de contratar
Sobre esse problema, o Diário TV conversou com Dori Boucault, que é especialista em direito do consumidor. Ele alertou sobre a importância de se fazer uma investigação, por meio da internet, antes de contratar determinado serviço.

“Nesse caso, em que a advogada apareceu representando a senhora do buffet, já é um ponto positivo na reconciliação. Então procurar, por meio de advogados das partes, para que o advogado se entender com advogado, porque aí ficam mais fáceis os termos jurídicos e uma acomodação dos interesses”.

“Quando a gente não encontra mais a empresa, que fechou, desapareceu, e infelizmente nós já tivemos casos de formatura, pessoal que chega depois do casamento com 100 convidados e não tem nada, isso é terrível. Tem que se fazer a investigação nas redes sociais, na página do Reclame Aqui, no Procon, no Proteste, no Instituto de Defesa do Consumidor e no consumidor.gov. Nós temos que saber a história da empresa, com quem ela já contratou e se foi bem feito. Isso tudo para ter uma cautela e fazer um contrato muito bem detalhado. Isso é prova fundamental em uma eventual necessidade”.

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