Poá: Escolas têm horário reduzido por falta de merenda

Poá: Escolas têm horário reduzido por falta de merenda

Medida começou a valer nesta segunda-feira (7) e pegou muitas famílias de surpresa. Responsáveis pelas crianças também reclamam do kit lanche e dizem que o alimento é insuficiente.

Começou a valer nesta segunda-feira (7) a medida que determina que 44 escolas municipais de Poá tenham carga horária reduzida. A decisão foi tomada depois de um problema jurídico no fornecimento da merenda.


Sem a alimentação regular, que é a principal refeição para muitos estudantes, as unidades de ensino distribuem apenas suco e bolacha. O lanche é alvo de reclamação entre as famílias, que consideram o kit insuficiente.

A redução no horário dos alunos pegou muitos surpresa. O aposentado Jairo Ludovico só ficou sabendo da mudança quando chegou para deixar o neto na escola durante a manhã. “Eu estive na reunião. Me falaram que, a partir de hoje, o horário seria das 7h às 12h. Agora estão dizendo lá que a coordenadora avisou, na sexta-feira, que continua das 7h às 10h”, comenta.

Os estudantes do pré-escolar, de meio período, têm apenas duas horas de aula. No ensino fundamental, são três horas. Segundo os responsáveis, as crianças estão recebendo apenas um kit lanche. “Além de não ter nada nas escolas, as crianças não podem trazer de casa. Fica, uma hora dessas, até 10h [sem comer]”, comenta a dona de casa Fátima Damasceno.

Débora Pereira, mãe de uma aluna do terceiro ano, também reclama e diz que o kit distribuído aos alunos não se compara à merenda que costuma ser oferecida. “Desde o dia 1º de fevereiro as crianças estão comendo três biscoito e uma caixinha de suco. [Agora] as crianças estão com horário reduzido por conta da merenda, porém, a Prefeitura só deu esse parecer na sexta-feira passada”, diz.

“Eles tiveram dois anos para arrumar e logo quando começa as aulas não tem merenda”, reclama Débora. “Agora está tudo uma palhaçada que muitos vem aguentando. Só que mexer nas crianças já e demais”.

Questões burocráticas que além de prejudicar a rotina das famílias podem interferir no aprendizado, como afirma a dona de casa Jussara Carriel. “Que as crianças já ficaram dois anos em casa. Essa falta de merenda também afeta nos estudos deles. A criança não se alimenta direito e ficar todo esse horário com suquinho e bolachinha, pra eles, não convém. Não faz bem para eles”

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A Tatiane Pereira também está insatisfeita. Além dos filhos, ela também é responsável pela sobrinha que está no terceiro ano do fundamental. O horário reduzido prejudicou a rotina da família. “Difícil. Tem criança que vem para a escola sem comer e não tem o alimento que deveria ter. Nada está igual ao que falam, ao que foi falado em redes sociais”, relata.

Segundo a dona de casa Beatriz Nascimento, não faltou propaganda. O problema é que a realidade tem sido bem diferente. “A gente viu no vídeo da secretaria falando que, assim que começassem as aulas, ia ter o kit com duas máscaras, álcool em gel. Já iam entregar o material, que não era necessário as mães comprar. A gente não viu cor de nada”.

Pausa no processo de contratação
A diretora do departamento infantil da Secretaria Municipal de Educação, Vânia Lucia Silva Balthazar, explica que seis empresas participaram da licitação de preparo da merenda. Uma delas se sentiu prejudicada e entrou com recurso pedindo a impugnação do processo.

“A Prefeitura está trabalhando para resolver isso o quanto antes. Eu não consigo precisar uma data para resolver, porque não está nas nossas mãos. A gente depende do juiz, então precisa aguardar”, explica.

Ela destaca que a cidade começou o mandato em estado de calamidade financeira e só no segundo semestre do ano passado conseguiu colocar as contas em ordem. Uma situação que atrasou as licitações, inclusive, para compra dos kits de controle da pandemia, materiais e uniformes.

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“Quanto ao material escolar, ele já está para ser entregue na semana que vem no mais tardar. Quanto ao kit de proteção, álcool em gel, máscara, ele está em processo licitatório também. A gente acredita que, em breve, essas coisas se resolverão”, pontua Vânia.

“Desde o ano passado está correndo com esses processos. A gente sabe que eles são longos. As vezes a gente tem um prazo, mas acontecem essas coisas de impugnação, licitação, então a gente acaba correndo aí um risco. Nem sempre acontece como realmente foi planejado”.

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