Alunos, ex-alunos e funcionários de escola em Suzano são vítimas de crimes virtuais

Alunos, ex-alunos e funcionários de escola em Suzano são vítimas de crimes virtuais
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Alunos, ex-alunos e funcionários de uma escola estadual em Suzano estão sendo vítimas de perfis falsos nas redes sociais. Os endereços divulgam que eles cometem crimes, além de expor fotos e documentos das vítimas.

Uma das vítimas é uma jovem de 18 anos que foi aluna da escola há três anos.

As publicações com fotos tiradas das redes sociais das vítimas e mensagens com acusações fortes assustam bastante. Em uma delas, o perfil afirma que as moças mataram a filha de um policial. usando as mesmas fotos, em outra postagem diz que elas induzem jovens a cometer suicídio.

A jovem nem imagina quem esteja por trás desse perfil falso. “Uma amiga me mandou mensagens, prints pelo whatsapp, que uma amiga dela tinha mandado para ela, perguntando. Na hora eu fiquei sem acreditar. Na hora fiquei nervosa. E uma professora minha já tinha passado pela mesma coisa há uns três anos atrás.”

A mãe da jovem está muito assustada. Logo que ficou sabendo do problema foi com a filha à delegacia registrar o boletim de ocorrência. “A diretora pediu para ela levar o boletim de ocorrência para ela. A gente tem que tomar providências porque não é brincadeira você ver em um Face, que a sua filha matou, tá induzindo crianças a morrer, que a polícia está procurando. Isso está sendo divulgado em vários grupos de Facebook.”

A menina nem tem saído mais sozinha de casa e evita ir pra alguns lugares, já que as postagens fazem várias acusações contra ela. “O nosso medo é eu sair na rua, alguém ter visto as publicações, né, e decidir fazer alguma coisa contra mim, sendo que as publicações são falsas, né? As publicações me acusam de ser golpista do whatsapp, golpista do PIX. Fala que a gente junto matou uma menina, filha de uma policial, o que é um absurdo. É tudo mentira.”

Apesar das postagens caluniosas, a jovem não recebeu nenhum ameaça direta de quem criou o perfil falso.

Uma funcionária da escola também passa pela mesma situação e isso desde o ano passado. “Fiquei com muito medo. Eu tinha medo de sair na rua. Eu ouvi que eu deveria até mudar a cor de cabelo, enfim. No ano passado, eu realmente fiquei afastada por um período porque eu fiquei bastante assustada.”

No ano passado foram criados quatro perfis falsos. E as calúnias virtuais foram feitas para vários funcionários e alunos da escola. Esse ano, o pesadelo voltou na vida da funcionária, as postagens voltaram a serem publicadas com outro perfil fake.

Ela já registrou a situação quatro vezes na delegacia, mas o criminoso ainda não foi identificado. “Um ano se passou e até agora nada. É só o que eu não quero. Que quem faz esse tipo de coisa, que não faça mais. Porque eu tenho uma vida, eu tenho uma família, eu tenho filhas. As minhas filhas precisam sair, eu preciso sair. Como que a gente faz né?”

A Secretaria Estadual de Educação informou que os envolvidos nos crimes virtuais foram orientados pela Diretoria de Ensino de Suzano a registrarem boletim de ocorrência. Segundo a secretaria, o programa de melhoria da convivência e proteção escolar está atuando no caso e segue à disposição para o atendimento de demandas de todos os estudantes e da equipe de profissionais da unidade, que também podem fazer uso do programa psicólogos na educação.

Já a Secretaria Estadual de Segurança Pública informou que o caso segue sob investigação, por meio de inquérito policial instaurado pela Delegacia de Suzano  como invasão de dispositivo informático e crime contra a honra. E que a equipe da unidade trabalha para elucidar os fatos.

Crimes Virtuais

O advogado especialista em crimes digitais e cibernéticos Francisco Gomes Júnior afirma que dos vários crimes na internet, o crime do perfil falso é um dos mais comuns. “E o crime do perfil falso é dividido em alguns outros crimes. Existe a questão do perfil falso para o bullying virtual, existe o perfil falso para subtrair aquele perfil de uma pessoa que utiliza para fins comerciais e pedir o resgate a ela para que ela tenha o perfil de volta, e existe o perfil falso para operações bancárias.”

O advogado destaca que a cada semana um novo crime virtual é criado. Por isso, ele diz que a legislação atual deveria ser melhorada. “A lei de crimes digitais precisa ser melhorada. Na verdade você não tem uma lei específica para uma série de crimes digitais porque os crimes acontecem mais rapidamente do que se criam as leis. Então o que se aplica no Brasil na maioria das vezes são crimes já existentes. Foi um crime contra a honra, foi uma calúnia. Precisa criar uma legislação específica de crimes digitais.”

O advogado orienta que as vítimas de crimes virtuais devem procurar imediatamente a polícia. E também um advogado. “É importante que se tome uma medida judicial rápida porque a polícia ela vai investigar, mas se for para você tirar uma informação, um perfil falso do ar, enfim, impedir que o crime continue você precisa de uma ordem judicial para o provedor.”

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