Sobreviventes do massacre na escola Raul Brasil se formam em Suzano: ‘esperança a mais’

Por Luana
Compartilhe
Sobreviventes do massacre na escola Raul Brasil se formam em Suzano: ‘esperança a mais’

Sentimentos de esperança e saudade marcaram o evento realizado na noite desta sexta-feira (17). Massacre deixou dez mortos em março de 2019.

Uma cerimônia realizada nesta sexta-feira (17) celebrou a formatura de estudantes da Escola Estadual Raul Brasil. Entre os formandos estavam sobreviventes do massacre que deixou dez mortos em março de 2019. Eles viram a tragédia de perto, mas hoje comemoram o futuro.

“Foi difícil para todo mundo. Foi algo que ninguém esperava, mas o fato de estar aqui hoje, de estar todo mundo bem, sorrindo, é como uma esperança a mais. É muito difícil não vê-los aqui hoje, saber que eles estariam felizes como a gente está, estariam desfrutando de uma formatura como a gente está”.

A fala é da estudante Beatriz Gonçalves, de 18 anos. Na época ela cursava o 1º ano e chegou a enfrentar um dos assassinos na tentativa de proteger a amiga, Letícia de Mello Nunes, também de 18 anos. A jovem acabou levando três disparos, sendo um no rosto, mas nenhum atingiu órgãos vitais.

“É uma superação muito grande, porque a gente teve colegas que acabou saindo da escola, estou sentindo falta no momento, mas eu acredito que o importante é que a gente está unido. Estamos aqui tentando, acabamos a escola para começar um novo ciclo. É felicidade e gratidão”, diz Letícia.

Ao todo, 180 estudantes do ensino médio e 139 do fundamental participaram da celebração. Para eles, a beca tem um significado especial e simboliza o encerramento de um ciclo, marcado por momentos difíceis.

Desde a tragédia, a escola foi toda revitalizada. Os alunos receberam apoio psicológico e, aos poucos, foram retomando as atividades. Nesse processo, ainda tiveram que lidar com as mudanças por causa da pandemia. Chegar até aqui é uma vitória.


“A escola, na verdade, se propôs a criar situações, momentos, vivências. Junto a isso, a escola optou por ser uma escola PEI, escola do programa de ensino integral. Isso facilitou com que nós tivéssemos um outro olhar da comunidade, inclusive dos pais”.

“Nós temos lutados de uma forma, que os alunos se reencontrem, estejam bem, e que tudo tenha sido um aprendizado, como tudo, dentro de uma experiência, se tira isso”, afirma Angela Aparecida Tibagy dos Santos, que é dirigente regional de ensino.

Após tragédia, escola passsou por reforma e ganhou uma cara nova — Foto: Reprodução/TV Diário

Na mesa toda decorada, os canudos com diploma ganham destaque. A Sônia Aparecida dos Santos é diretora da unidade há 22 anos e trabalha todos os dias pra que todos possam superar aquele dia tão doloroso.

“Nossa equipe, principalmente quem ficou depois do acontecido, a gente realmente abraçou a escola mais que antes ainda. Por isso, quando nos perguntam, a gente sempre fala o seguinte: o que nós queremos, realmente, é sempre mostrar as coisas boas que a escola está fazendo”.

Escola Raul Brasil, em Suzano, celebra formatura — Foto: Reprodução/TV Diário

A cerimônia foi realizada no Complexo Educacional Mirambava e reuniu autoridades, pais, amigos e familiares dos estudantes. Um dia para comemorar e também de agradecer, como afirma o vigilante Paulo Fernandes, que é pai de um dos alunos.

“Graças a Deus eu tenho o privilégio de estar aqui, contemplando a formatura da minha filha. Ao mesmo tempo, aquele sentimento que não é tão legal”, diz.

“Muitos pais que gostariam de estar aqui no meu lugar, infelizmente, não estão. É uma alegria, ao mesmo tempo, misturada com uma emoção muito grande. A vontade da gente era que todos aqueles outros pais, outros alunos, estivessem aqui também”.

O crime

O massacre na Escola Estadual Raul Brasil aconteceu na manhã de uma quarta-feira, dia 13 de março de 2019. Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25, que eram ex-alunos da escola, entraram no colégio armados e mataram sete pessoas. Pouco antes do massacre, a dupla havia matado o proprietário de uma loja da região, que era tio de um dos assassinos.


A investigação aponta que, depois do ataque, ainda dentro da escola, o mais novo matou o mais velho e, em seguida, suicidou-se. A polícia diz que os dois tinham um “pacto” segundo o qual cometeriam o crime e depois se suicidariam. Um terceiro adolescente foi apreendido e internado provisoriamente na Fundação Casa. Para a polícia, ele foi um dos mentores do crime bárbaro.

Cinco dos mortos eram alunos do ensino médio, com idades entre 15 e 17 anos. Uma coordenadora pedagógica e uma agente de organização escolar, de 59 e 38 anos, respectivamente, também foram assassinadas.

Veja mais notícias como esta em Suzano

Você sabia que o Alto Tietê Online está no Facebook, Instagram, Telegram, Whatsapp  e no Google News? Siga-nos por lá.

Deixe seu comentário

Imagem para chamar atenção
Suzano

PM localiza desmanche de veículos em Suzano

Proprietárias de terrenos onde veículos foram localizados foram presas após serem autuadas por receptação. Um desmanche de veículos foi localizado pela Polícia Militar em Suzano