Suzano: Alunos da Etec são premiados por projeto que utiliza casca de ovo para a produção de vidro

Por Luana
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Suzano: Alunos da Etec são premiados por projeto que utiliza casca de ovo para a produção de vidro

Iniciativa chama a atenção pela sustentabilidade, já foi premiado e se destacou em feira de ciências da USP.

Alunos da Escola Técnica Estadual (Etec) de Suzano usaram a casca do ovo para produzir vidro. O projeto, destaque na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, vai ser apresentado às indústrias. Além do potencial econômico, a iniciativa chama a atenção pela sustentabilidade.

Até tem gente que aproveita a casca do ovo para fazer adubo e artesanato. Mas a grande maioria das pessoas joga o resíduo no lixo. Esse material descartado em casa e nos restaurantes, virou matéria prima nas mãos de um grupo de alunos da Etec de Suzano.

“Nós demos um destino a ela, transformando ela em um vidro. Não existe nenhum projeto no Brasil que se aproxime do nosso, apenas alguns projetos fora do país que utilizam a mesma matéria-prima, mas não chega a ser um vidro. Outros caminhos”, explica o estudante Braian William Cardoso da Silva.

No laboratório, a casca do ovo é higienizada, moída e peneirada. Na sequência é feita a mistura e o aquecimento a 1.200 graus. Todo o processo dura, em média, três horas.

Para chegar nesse resultado, um vidro forte e resistente, que pode ser usado na confecção de garrafas, copos e janelas, os estudantes trabalharam cerca de um ano no projeto e fizeram várias experiências.

“Começou numa rotina online, a gente se reunia online para discutir as ideias, para quando chegar no presencial a gente colocar elas em prática. E quando chegou no presencial, nós tivemos algumas reformulações a fazer. Porque primeiro, elas não tinham a infraestrutura ou demandava muito tempo. O mais complicado assim, que a gente não esperava que era um trabalho muito braçal. As pessoas esperam da química aquilo que você mistura uma coisa com uma outra coisa que chega num resultado final. Mas o nosso não era muito assim, era muito trabalho que a gente usava o braço, moagem, trituração e esse tipo de coisa”, complementa Braian.


Alunos da Etec de Suzano produziram vidro a partir da casca de ovo — Foto: Diário TV/Reprodução

A pesquisa foi desenvolvida durante um trabalho de conclusão de curso do curso técnico de química integrado ao ensino médio. O professor de química César Tatari é o orientador. O vidro produzido por esses jovens é do tipo sodo-cálcico, uma opção para indústria e um um presente para natureza.

“A grande diferença é que no vidro comum o carbonato utilizado é retirado da natureza. E a proposta do nosso projeto é utilizar o carbonato oriundo da casca do ovo. Sabendo que o Brasil é um grande produtor de ovos, a gente utilizando esse material a gente acaba dando um fim mais nobre para essa casca de ovo e ainda não utilizar o carbonato oriundo da natureza. A proposta do projeto é que tenha toda uma característica sustentabilidade”.

O projeto, que transforma casca de ovo em vidro, foi finalista da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febraci) e recebeu o prêmio Mostra de Ciências e Tecnologia do Instituto Açaí, uma ONG que incentiva sustentabilidade e cidadania.

O professor destaca que o projeto mostrou a importância da pesquisa para os demais estudantes da instituição. “Mostra que a região tem um grande potencial para isso. E os alunos que estão nas séries anteriores eles já começam a olhar diferenciado para a questão da pesquisa. Isso faz com que a sociedade ganhe num todo”.

Já o estudante Braian acredita que o projeto desenvolvido representa o futuro. “É uma geração que está preocupada em cuidar do planeta e o nosso [projeto] é só mais um nesse mundo, que está indo para esse caminho”.

Essa conquista marca o encerramento de um ciclo para esses alunos. Eles terminaram o curso técnico realizado junto com o ensino médio no ano passado e já estão na faculdade. Dois deles escolheram a área química e entraram em universidades públicas.

“A proposta é conseguir empresas que consigam testar nosso material, já que a formulação foi possível notar que funciona. Alguns testes foram realizados aqui na Etec mesmo, que é teste de resistência ácida, resistência básica. Precisamos fazer o teste de resistência mecânica, mas todos os testes estão saindo como o planejado. Agora a escola, através de parcerias, vai entrar em contato com essas empresas para a gente testar a formulação numa escala maior e colocar a proposta da formulação e do projeto que crie vida, ou seja, que caminhe sozinho daqui para frente”, explica o professor.


Assim como o orientador, Braian também confia que a iniciativa possa proporcionar parcerias com empresas. “A gente espera um investimento das empresas porque é um projeto que tem bastante potencial e ele está na visão mundial, que é sustentabilidade. E é um projeto que caminha para esse lado”.

Apesar dos novos rumos em cidades diferentes, o projeto batizado como “Cascov” segue ativo e o grupo já tem planos para o futuro.

Matéria-prima não vai faltar para o projeto decolar. Segundo previsão da Associação Brasileira de Proteína Animal, a produção de ovos no Brasil pode chegar até 56 bilhões de unidades neste ano, volume 3% maior do que no ano passado.

Informações G1

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