Jovem 2020: Conheça a geração que nasceu no ano 2000

Jovem 2020: Conheça a geração que nasceu no ano 2000

Série de reportagens especiais mostra jovens com histórias e planos diferentes, mas que têm em comum o ano 2000 na data de nascimento. Aos 20 anos, esses brasileiros chegam à vida adulta com novas visões e comportamentos. Conheça o que alguns deles pensam sobre educação, trabalho, internet, ativismo e comportamento.

No primeiro dia de 2020, o Jornal Hoje inicia uma série de reportagens especiais sobre o jovem que nasceu no ano 2000 e que, claro, completa 20 anos este ano. É o brasileiro que chega agora à vida adulta, ao mercado de trabalho e chega em um momento de crise econômica e de altas taxas de desemprego. É a chamada geração Z.

Maria Luiza Schubert foi uma das primeiras bebês a nascer na cidade de São Paulo, exatamente a meia-noite. “Fiz uma tatuagem com o horário do meu nascimento. Pra mim, tem essa simbologia de recomeço, de tentar de novo, de melhorar. Então, como foi um horário bonitinho, bem certinho, fiz a tatuagem”, conta.

A Maria Luiza de 2020 está em Niterói, estuda farmácia, na Universidade Federal Fluminense e mora em uma república: “No começo, a mudança foi bem difícil. Vir pra cá, sair da asa dos pais. No quesito comida é horrível, porque não tem a comida da minha mãe. Mas tirando esses quesitos de saudade e eu começar a ter que me virar, é tranquilo”.

O namorado também ficou a mais de 400 quilômetros de distância. A tecnologia ajuda. “Eu acho que é bem diferente das relações mais antigas, justamente por isso, tenho ajuda da internet. Também tem mais liberdade, cada um tem sua vida, não ser dependente. Ele vai pro rolê dele, eu vou pro meu e é isso”.

E pro futuro? Comprar carro, casa? Que nada! A Luiza quer é correr o mundo: “Eu quero estar estável financeiramente pra conseguir viajar bastante, porque eu gosto muito de viajar. E quero estar trabalhando no que eu gosto”.

Estabilidade financeira e prazer no trabalho são anseios muito citados em pesquisas pelos jovens da chamada geração Z. “É uma geração que até mostra uma certa angústia, porque por um lado tem esse desejo de uma certa estabilidade e, por outro lado, quando se olha pra estrutura de trabalho, a gente não tem a menor ideia de como vai ser daqui a 20 anos. O pessoal está lá fazendo faculdade, estudando no colégio, sem saber o que esse mundo do trabalho vai oferecer pra eles”, afirma Tracy Francis, líder de consumo da consultoria McKinsey.

“São cerca de milhões de jovens desempregados e eu não queria fazer parte dessa estatística”, diz Kevin Souza Melo, que também nasceu no ano 2000. No ano que Kevin nasceu, o desemprego também era uma preocupação, mas por outro lado a internet já trazia alguma facilidade na hora de arrumar emprego. E a internet mudou mesmo foi a vida, nessa geração, de nativos digitais, que não conhecem o mundo real sem o virtual, na palma da mão.

“É uma geração que não permite ser definida, não quer ser rotulado, não quer que você defina quem que é, cada pessoa vai compondo sua identidade através de várias referências”, explica Tracy.

“Tem uma pressão muito grande que a gente tem que escolher a coisa certa e seguir, só que eu não acredito nisso. Eu acredito que a gente precisa tentar e ir se descobrindo”, diz Catharine Martins da Silva, outra jovem nascida em 2000.

Na relação com o consumo, a geração “20 em 2020” também pensa diferente. “É a mudança da ideia de possessão para acesso. Não quero mais ter posse de um ativo, de um bem, eu quero ter acesso. Então, se começa a ver redes de produtos compartilhados, segunda mão, esse tipo de coisa”, explica Tracy.

“Por que eu vou comprar daquela empresa se ela está se comportando de uma forma que não cabe na atualidade ou dentro de alguns temas daquela geração? Pra mim, essa talvez seja a geração mais consciente de que consumo é poder. Acho que é um jovem mais consciente sobre o coletivo, sobre tudo que está acontecendo no entorno e que promove e que quer promover mudanças reais”, afirma Isabela Ventura, especialista em marketing de influência.

Consumo consciente, compartilhamento de ideias. A internet que muitas vezes isola, no mundo virtual, também pode mobilizar. “Dá pra gente se conectar com pessoas que a gente nem imaginaria falar, nem imaginaria conhecer e que tem as mesmas ideias, que gosta das mesmas coisas”, diz Maria Luiza.

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