
Por: Luana de Souza

O fim da escala de trabalho 6×1 pode trazer mudanças para além da rotina dos trabalhadores e das empresas. A medida também pode afetar o bolso dos consumidores, com possíveis aumentos nos preços de produtos e serviços, redução da oferta e mudanças nas contratações.
Os impactos foram abordados em reportagem publicada pela Gazeta do Povo após a aprovação, pelo Senado, da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 e a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial. A proposta ainda depende de promulgação para entrar em vigor.
Segundo a reportagem, a redução da jornada com manutenção dos salários pode elevar os custos das empresas que precisam manter o mesmo nível de produção ou atendimento.
Para compensar as horas de trabalho reduzidas, os empregadores poderão precisar contratar mais funcionários, reorganizar as equipes ou investir em produtividade. Caso não consigam absorver esses custos, algumas empresas poderão repassá-los aos consumidores.
Entre os possíveis efeitos estão:
Esses efeitos são projeções econômicas citadas na reportagem e não significam que ocorrerão necessariamente em todos os setores.
A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) estima que, em restaurantes, os custos com mão de obra poderiam aumentar cerca de 20% em determinadas condições. Para compensar esse impacto, o reajuste nos cardápios poderia ficar entre 7% e 8%, segundo declaração citada pela publicação.
Já a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que o repasse aos preços ao consumidor poderia chegar a 13%.
Os percentuais são estimativas das entidades e dependem de fatores como o setor econômico, a estrutura de custos de cada empresa e a capacidade de absorver as mudanças.
A reportagem cita uma estimativa do economista Daniel Duque, do Centro de Liderança Pública (CLP) e pesquisador do FGV Ibre, segundo a qual a redução da jornada para 40 horas semanais poderia eliminar aproximadamente 638 mil empregos formais.
A CNC e representantes do comércio também apontam o risco de crescimento da informalidade. Por outro lado, defensores da mudança destacam os possíveis ganhos para a qualidade de vida dos trabalhadores, que poderão contar com mais tempo para descanso, família e atividades pessoais.
Os efeitos concretos dependerão da implementação das novas regras e da forma como empresas e setores econômicos se adaptarão.
A proposta aprovada pelo Senado prevê o fim da escala 6×1, na qual o empregado trabalha seis dias e folga um, com adoção de uma jornada máxima de 40 horas semanais e dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial.
A mudança deverá seguir as regras de transição previstas no texto, após a conclusão do processo legislativo.
O Senado aprovou a PEC em dois turnos no dia 14 de outubro de 2026, com 75 votos favoráveis e um contrário em cada votação. A proposta prevê a redução gradual da jornada semanal e a adoção de dois dias de descanso remunerado.
A entrada em vigor, entretanto, depende da promulgação da emenda constitucional.
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