
Por: Luana Angelis

A história começou quando Lethycia Rodrigues de Lima, de 35 anos, e o marido, André Schmidt Baron, se mudaram para Santa Catarina para trabalhar na Pousada Apoena, localizada no distrito de Santa Lúcia, zona rural de Palmitos.
Lethycia era responsável pela limpeza das kitnets, enquanto André atuava como servente de pedreiro na construção de um restaurante dentro da propriedade.
Segundo André, o casal foi contratado para cumprir jornadas de oito horas diárias. No entanto, na prática, trabalhava entre 16 e 22 horas por dia.
Quando decidiram passar a cumprir apenas a carga horária acordada, começaram os desentendimentos com os proprietários da pousada, Moacir João Ariotti e sua companheira, Aline Borin.
De acordo com o relato apresentado durante o julgamento, o casal passou a sofrer provocações e humilhações. Posteriormente, ambos foram demitidos sem registro em carteira e sem receber as verbas rescisórias.
Mesmo após a demissão, permaneceram morando em uma das kitnets da pousada durante o prazo concedido para desocupação do imóvel.
Ainda segundo André, a energia elétrica da residência onde a família vivia passou a ser desligada remotamente, enquanto o restante da pousada continuava funcionando normalmente. Com três filhos pequenos, alimentos estragavam e a situação se tornava cada vez mais difícil.
Na manhã de 29 de setembro de 2025, Lethycia foi até a Delegacia de Polícia registrar um boletim de ocorrência devido aos constantes cortes de energia e às ameaças que dizia sofrer. Segundo André, ao chegar ao local, encontrou Moacir e Aline na delegacia.
Horas depois, por volta das 17h35, Moacir e Aline retornaram à pousada.
Ao perceber a chegada do casal, André mandou os três filhos entrarem na residência, temendo que algo acontecesse.
Pouco depois, iniciou-se uma discussão.
Conforme o depoimento de André, acolhido pelo Conselho de Sentença, Aline entrou em luta corporal com Lethycia, enquanto Moacir sacou uma arma.
André afirmou que Moacir apontou a arma em sua direção e tentou atirar, mas o disparo falhou.
Na sequência, o empresário voltou a arma contra Lethycia e efetuou um disparo que atingiu a vítima na região do tórax. Segundo a acusação, Aline segurava Lethycia pelos cabelos no momento do tiro, impedindo que ela escapasse.
O disparo atingiu o coração da trabalhadora, que morreu no local.
Mesmo após o crime, Moacir ainda tentou atirar novamente contra André, mas a arma voltou a falhar.
Temendo ser morto, André entrou em luta corporal com o empresário, conseguiu tomar a arma e impedir novos disparos.
A Polícia Militar foi acionada e chegou poucos minutos depois.
Moacir fugiu de carro, enquanto Aline deixou o local a pé. Horas mais tarde, o empresário se apresentou à Polícia Civil acompanhado de um advogado. Os dois acabaram presos preventivamente.
Quase dez meses depois, em 20 de julho de 2026, teve início o julgamento, que durou mais de 19 horas.
Ao final da sessão, o Tribunal do Júri condenou Moacir João Ariotti pelo homicídio duplamente qualificado de Lethycia, pela tentativa de homicídio contra André e pelo porte ilegal de arma de fogo.
Aline Borin também foi condenada como coautora do homicídio, por ter contido fisicamente a vítima durante o disparo.
Os dois permanecem presos e poderão recorrer da condenação, mas sem o direito de responder ao processo em liberdade.
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