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    Trabalhadora foi à delegacia denunciar ameaças e acabou morta no mesmo dia

    • Postado 15 minutos atrás
    • Atualizado em 24 de julho de 2026

    Por: Luana Angelis

    A história começou quando Lethycia Rodrigues de Lima, de 35 anos, e o marido, André Schmidt Baron, se mudaram para Santa Catarina para trabalhar na Pousada Apoena, localizada no distrito de Santa Lúcia, zona rural de Palmitos.

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    Lethycia era responsável pela limpeza das kitnets, enquanto André atuava como servente de pedreiro na construção de um restaurante dentro da propriedade.

    Segundo André, o casal foi contratado para cumprir jornadas de oito horas diárias. No entanto, na prática, trabalhava entre 16 e 22 horas por dia.

    Quando decidiram passar a cumprir apenas a carga horária acordada, começaram os desentendimentos com os proprietários da pousada, Moacir João Ariotti e sua companheira, Aline Borin.

    De acordo com o relato apresentado durante o julgamento, o casal passou a sofrer provocações e humilhações. Posteriormente, ambos foram demitidos sem registro em carteira e sem receber as verbas rescisórias.

    Mesmo após a demissão, permaneceram morando em uma das kitnets da pousada durante o prazo concedido para desocupação do imóvel.

    Ainda segundo André, a energia elétrica da residência onde a família vivia passou a ser desligada remotamente, enquanto o restante da pousada continuava funcionando normalmente. Com três filhos pequenos, alimentos estragavam e a situação se tornava cada vez mais difícil.

    Na manhã de 29 de setembro de 2025, Lethycia foi até a Delegacia de Polícia registrar um boletim de ocorrência devido aos constantes cortes de energia e às ameaças que dizia sofrer. Segundo André, ao chegar ao local, encontrou Moacir e Aline na delegacia.

    Horas depois, por volta das 17h35, Moacir e Aline retornaram à pousada.

    Ao perceber a chegada do casal, André mandou os três filhos entrarem na residência, temendo que algo acontecesse.

    Pouco depois, iniciou-se uma discussão.

    Conforme o depoimento de André, acolhido pelo Conselho de Sentença, Aline entrou em luta corporal com Lethycia, enquanto Moacir sacou uma arma.

    André afirmou que Moacir apontou a arma em sua direção e tentou atirar, mas o disparo falhou.

    Na sequência, o empresário voltou a arma contra Lethycia e efetuou um disparo que atingiu a vítima na região do tórax. Segundo a acusação, Aline segurava Lethycia pelos cabelos no momento do tiro, impedindo que ela escapasse.

    O disparo atingiu o coração da trabalhadora, que morreu no local.

    Mesmo após o crime, Moacir ainda tentou atirar novamente contra André, mas a arma voltou a falhar.

    Temendo ser morto, André entrou em luta corporal com o empresário, conseguiu tomar a arma e impedir novos disparos.

    A Polícia Militar foi acionada e chegou poucos minutos depois.

    Moacir fugiu de carro, enquanto Aline deixou o local a pé. Horas mais tarde, o empresário se apresentou à Polícia Civil acompanhado de um advogado. Os dois acabaram presos preventivamente.

    Quase dez meses depois, em 20 de julho de 2026, teve início o julgamento, que durou mais de 19 horas.

    Ao final da sessão, o Tribunal do Júri condenou Moacir João Ariotti pelo homicídio duplamente qualificado de Lethycia, pela tentativa de homicídio contra André e pelo porte ilegal de arma de fogo.

    Aline Borin também foi condenada como coautora do homicídio, por ter contido fisicamente a vítima durante o disparo.

    Os dois permanecem presos e poderão recorrer da condenação, mas sem o direito de responder ao processo em liberdade.

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